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2022-07-14

A Marina da Horta recebeu na terça-feira, 12 de julho, a visita do Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Eng.º Luís Garcia, no mesmo dia em que aquela instituição promoveu na ilha do Faial uma conferência no âmbito do ciclo comemorativo dos 45 Anos de Autonomia (Açores 1976-2021), sob o tema “O Desafio da Economia Azul Sustentável”.

Precisamente na marina faialense o Presidente do Parlamento açoriano recebeu do Presidente do Conselho de Administração da Portos dos Açores, S.A. (PA), Comandante Rui Terra, informações sobre a relevância daquela infraestrutura de apoio à náutica de recreio e à náutica de competição à vela e acerca do seu impacto direto e imediato na economia do Faial, que é estimado se traduza em cerca de 10 a 12% do PIB da ilha.

No ‘briefing’ proporcionado ao Presidente da Assembleia Legislativa Regional, o Presidente da Portos dos Açores, S.A. deu a conhecer, também, o histórico da procura pela Marina da Horta, desde a sua inauguração, em 1986, quanto a embarcações de passagem nas nossas águas e respetivas tripulações, que catapultam aquela infraestrutura para o quarto lugar a nível mundial e segundo na Europa (apenas atrás de Gibraltar) relativamente ao tráfego de iates envolvidos em grandes travessias oceânicas.

O aumento da capacidade da Marina da Horta, a melhoria dos seus equipamentos de alagem, a disponibilização de zona especialmente destinada ao parqueamento de embarcações a seco e as potencialidades de crescimento dos negócios de apoio à náutica de recreio e das ‘indústrias’ conexas, casos da pequena reparação naval e do fornecimento de serviços diversos, foram outras matérias em análise no decorrer desta reunião de trabalho.

Aspetos adicionalmente tratados nesta visita da principal figura institucional dos órgãos de governo próprio dos Açores à marina faialense acabaram por ser, igualmente, na exposição apresentada pelo Comandante Rui Terra, as perspetivas de captação de novos mercados emissores de fluxos de iates para a generalidade dos portos de recreio náutico do arquipélago, por via da promoção proporcionada pelas grandes regatas de vela ‘offshore’ de alta competição, que periodicamente escalam as ilhas, a par da presença dos Açores nas principais feiras internacionais da especialidade.

Foi, ainda, transmitida ao Eng.º Luís Garcia a importância e centralidade daquela marina, em específico, através da qual, em complemento no universo PA, atualmente já se torna possível projetar para outras ilhas e outras marinas grandes eventos no âmbito da náutica de impacto internacional, fruto das esforçadas diligências locais, que envolvem ‘stakeholders’ de todo o universo da náutica de recreio, que ali buscam apoio seguro e um nível de literacia/cultura marítima que resulta numa excecional arte de bem-receber todos os milhares de navegadores que, anualmente, a visitam e levam o bom nome e imagem dos Açores, aos quatro cantos do mundo.

No final desta visita à Marina da Horta, o Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores teve, complementarmente, a oportunidade de conhecer o novo edifício de apoio às atividades marítimo-turísticas, recentemente inaugurado.

2022-06-30

Pensar em dar a volta o mundo por via marítima não é coisa que qualquer um de nós equacione, nem sequer de ânimo leve… Perspetivar fazê-lo numa embarcação à vela ainda menos. Optar por navegação solitária pelos quatros cantos do planeta, aí, já é coisa para (muito) poucos. Agora, juntar tudo isto e acrescentar, como meio de transporte, um veleiro com apenas 4 (quatro) metros de comprimento, isso, será somente para grandes ‘aventureiros’, para gente especialmente destemida, para pessoas capazes de gerir dificuldades e solidão como (quase) ninguém e, se calhar, para seres predispostos a superar o insuperável!

Um homem desta têmpera está na Marina da Horta, desde a última segunda-feira, 27 de junho. Chama-se Yann Quenet e acha-se já na curva descendente de uma circum-navegação que leva neste momento mais de três anos de jornada, por três oceanos cruzados (Atlântico, três vezes, Pacífico e Índico), quando, por agora, só lhe falta o percurso que ligará os Açores a Saint-Brieuc, na Bretanha, França, onde reside, não muito longe de outro porto gaulês famoso na vela internacional, Saint-Malo.

A mais recente etapa do périplo deste velejador pelas sete partidas do mundo durou 62 dias, desde o Brasil e até à ilha do Faial, onde chegou… já sem comida nem água a bordo! Algo parecido com o que lhe aconteceu antes, entre o Panamá e as ilhas Marquesas, do outro lado do globo.

Mas, além de tudo o mais, há uma particularidade adicional que torna esta ‘história’ especialmente singular: o seu iate, de nome “Baluchon” (‘pacote’, em português), foi construído por ele mesmo, com orçamento reduzido, tendo custado apenas cerca de 4000 euros e… 400 horas de trabalho. Tem um só mastro, uma única vela e não comporta motor. Mais: não há peças sobressalentes a bordo, pois, simplesmente, não há espaço para tal!

Tudo começou em Lisboa, no mês de maio de 2019, pois fora ao largo da costa portuguesa que naufragara uns tempos antes, na primeira tentativa de iniciar sem mácula a ‘grande aventura’, que quase lhe custou a vida, não fosse ser salvo por um navio cargueiro de passagem próxima, em altura de forte tempestade, que levou a sua embarcação anterior ao fundo. Depois seguiu-se Canárias, Caraíbas e o Canal do Panamá, que cruzou… por terra, pois o “Baluchon” (um ‘Optimist’ de vela oceânica, como lhe chamava um periódico francês) não tem dimensão para ter piloto a bordo e nem rebocador por companhia!

No lado de lá das Américas rumou às Marquesas (em 44 dias), à Polinésia Francesa, incluindo Tahiti e Tuamotu, e ainda à Nova-Caledónia, onde teve de parar meio ano, pois era imperioso deixar passar a época das tempestades do hemisfério Sul e deixar também acalmar essa ‘peste’ da COVID-19, que fechou portos e marinas em lugares onde era suposto ter feito escala e que tiveram de ser esquecidos. Como ficou sem efeito a viagem pré-programada de uma ‘costa-a-costa’ na Austrália, com o veleiro no tejadilho de um carro velho que pensava comprar, não fosse a pandemia trocar-lhe, igualmente, as voltas. Disto resultou uma travessia direta – 7000 milhas marítimas – da Nova-Caledónia até à ilha de Reunião. Assombroso, e em 77 dias! Depois foi a vez da África do Sul, ainda para lá do Cabo da Boa Esperança, pois, na vinda para Ocidente, a Cidade do Cabo já é, de novo, de ‘sabor’ Atlântico. Daí foi um passo até à ilha (britânica) de Santa Helena, a anteceder a travessia com destino a terras de Vera-Cruz. No Brasil a escala fez-se no Estado de Paraíba, de onde largou a 26 de abril passado, rumo à Horta.

Depois de cerca de 10 dias de descanso e aprovisionamento nas ilhas dos Açores será tempo de voltar ao mar. Próxima paragem: casa, em Saint-Brieuc. Até à próxima aventura… e, talvez, até nova proeza! O aventureiro solitário bretão Yann Quenet e sua – verdadeira – ‘casca de noz’ levam nesta jornada de três anos longas passagens dos três principais “mares-oceanos”, como já se disse: Atlântico, Pacífico e Índico, este último o mais complicado, pelo que referiu à Portos dos Açores, S.A..

Este velejador de 51 anos, natural de Nantes – ex-esquiador em desportos de Inverno e com menção nos registos da FIS (Federação Internacional de Ski) –, está de passagem na Marina da Horta pela quarta vez, tendo ali feito escala, numa primeira ocasião, em 2006. Na oportunidade, em embarcação maior e com companhia na navegação, como faz questão de frisar, para lembrar que agora a viagem é mais ‘radical’! Mesmo assim, as dimensões do “Baluchon” não o atormentam nem amedrontam, não sendo em vão que nos disse, por duas vezes, em pleno pontão da marina faialense, num misto de conformação e satisfação: “Small boat, small problems”!

2022-06-08

Em representação do Conselho de Administração da Portos dos Açores, S.A. (PA), o Comandante Rui Terra participou no final da última semana, no Funchal, Madeira, em reuniões dos órgãos sociais da Associação dos Portos de Portugal (APP), com vista à apreciação do Relatório de Gestão e Contas do Exercício de 2021 e à aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para o ano de 2022 daquela entidade, que agrega todas as administrações portuárias do país.

Nestas reuniões da Direção e da Assembleia Geral da APP foi também avaliado o ponto da situação da implementação do projeto JUL – Janela Única Logística nos diferentes portos de Portugal. Foi, ainda, decidido formalizar um protocolo com a AMN – Autoridade Marítima Nacional, com vista à realização do ‘Curso de Sobrevivência e Resgate no Mar’, para pilotos e tripulantes de embarcações de pilotos.

Este plenário serviu também para aquela associação projetar a participação dos portos nacionais em algumas das maiores feiras internacionais do setor portuário, que decorrerão no próximo ano, casos da ‘Intermodal South America 2023’, que está agendada para fevereiro, em São Paulo, Brasil, da ‘Transport Logistics 2023’, a realizar em Munique, Alemanha, em maio e da ‘Breakbulk 2023’, que acontecerá em Roterdão, Países Baixos, em junho de 2023.

A Portos dos Açores, S.A. integra a Direção da APP, coletivo que no âmbito desta reunião de trabalhos terminou a perspetivar potenciais locais de realização dos próximos congressos da APLOP (Associação dos Portos de Língua Portuguesa), numa permanente colaboração de proximidade, que se entende estratégica para todos os portos nacionais.

No final das sessões de trabalhos, juntou-se à comitiva deslocada no Funchal o Secretário Regional de Economia do Governo da Madeira, Dr. Rui Miguel Barreto, que teve a oportunidade de conhecer alguns dos projetos em curso, que visam criar valor acrescentado nos parceiros portuários, retirando daí potenciais sinergias para a comunidade local, via a Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, S.A. (APRAM), a quem se agradece tão distinta organização desta reunião da APP.

2022-06-07

A Marina da Horta completou na última sexta-feira, dia 3 de junho, 36 anos de existência, dado ter sido naquele mesmo dia e mês, em 1986, que foi oficialmente inaugurada e recebeu os primeiros veleiros, ocupando na altura a quase totalidade dos seus cais e pontões flutuantes, numa ocasião em que os Açores eram já, há mais de década e meia, um destino de passagem para destacado número de iates envolvidos em grandes travessias do Atlântico Norte.

Tão depressa a sua capacidade foi esgotada que a 2 de março de 2002 seria formalizada a sua ampliação, para a bacia Sul do Porto da Horta, passando a capacidade inicial de 120 postos de amarração para os atuais 300, mesmo assim aquém da demanda que este porto de recreio todos os anos gera, muito particularmente nos meses de abril a julho.

Segundo dados avançados há alguns anos pela conceituada revista náutica francesa “Voiles e Voiliers”, a Marina da Horta é a segunda da Europa com mais entradas registadas de veleiros envolvidos em viagens transoceânicas (somente suplantada no ‘Velho Continente’ por Gibraltar, o maior porto internacional para a náutica de recreio), posicionando-se, neste particular, em quarto lugar a nível mundial (a seguir, também, ao México e à ilha Trindade, do arquipélago de Trinidad e Tobago), e significativamente à frente de Bermudas e de Las Palmas, nas Canárias.

A Marina da Horta é palco recorrente de passagem dos maiores nomes da vela ‘offshore’ de alta competição internacional, como já sucedeu este ano com Armel Le Cléac’h (vencedor da ‘Vendée Globe’ 2016-2017 e segundo noutras duas edições desta prova mítica de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, para embarcações IMOCA, de 18 metros, considerada a mais dura de todas), Sébastien Josse (com três participações na mesma ‘Vendée Globe’ no currículo, na qual foi 5.º classificado, na edição de 2004-2005) e Jean-Pierre Dick (quatro vezes presente na quadrienal ‘Vendée Globe’, com dois 4.ºs lugares como melhores resultados, para além de ter sido vencedor de duas edições da afamada ‘Barcelona World Race’), para citar apenas três navegadores famosos, dos mais recentes, em escala, no caso nos finais do último mês, na ilha do Faial.

Esta marina foi, por outro lado, o primeiro porto português a ostentar a Bandeira Azul da Europa, em 1987, galardão que mantém até hoje, atestando as suas especiais condições respeitantes à qualidade ambiental, quanto a equipamentos e serviços, e no que respeita a segurança e atividades de educação para a conservação da natureza.

Numa altura em que a Marina da Horta acaba de completar 36 anos é de assinalar que esta infraestrutura portuária pode vir a registar em 2022 um movimento, até final do ano, muito próximo do máximo de embarcações que constitui o seu recorde, já que a 31 de maio se contabilizavam ali 557 entradas, contra somente 522 no último ano ‘normal’, pré-pandemia (2019), mantendo-se, no entanto, em 1300 embarcações a melhor cifra até agora averbada, já há mais de uma década, em 2009.

No princípio do mês de junho a Marina da Horta alberga perto de três centenas e meia de iates no porto faialense, quando estão a chegar à ilha, ainda estes dias, os 28 veleiros de recreio envolvidos em mais uma edição da ‘ARC Europe’ (Atlantic Rally for Cruisers), organizada pelo World Cruising Club, entre as Caraíbas e Lagos (Algarve), e em julho se dirigirão para a ilha do Faial à volta de 70 veleiros da Classe Mini 6.50, competindo numa regata bienal para velejadores solitários, parte deles profissionais e semi-profissionais, que se realiza, já desde 2006, entre Les Sables d’Olonne – verdadeira ‘capital’ da vela mundial de competição em alto-mar – e os Açores, e que vai para a sua nona edição (sequência só interrompida em 2020, no que respeita à vinda ao nosso arquipélago, em função do eclodir, naquele ano, da pandemia da COVID-19).

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