A Portos dos Açores, S.A. (PA) acaba de lançar um procedimento de concurso público internacional com vista à aquisição de dois rebocadores elétricos de 70 toneladas, para funcionamento nas infraestruturas portuárias do arquipélago, o que permite a renovação dos equipamentos de que a PA dispõe atualmente e assegura, em simultâneo, o aprofundamento da sua aposta na descarbonização e sustentabilidade ambiental.
A frota de rebocadores da administração portuária integra neste momento quatro navios para operações de reboque, dos quais três se encontram em final da respetiva vida útil, apresentando 22, 23 e 28 anos de antiguidade e comportando capacidades de trabalho já desajustadas para as solicitações que presentemente se vão colocando nos portos da Região. Esta decisão visa também criar redundância operacional, alargando para cinco o número de rebocadores disponíveis na RAA.
A opção por rebocadores elétricos enquadra-se na tendência global de descarbonização e sustentabilidade na indústria marítima, havendo nos Açores, também, orientações do Governo Regional para se apostar na mobilidade elétrica, nas suas diferentes vertentes, desde logo porque parte significativa da produção de energia nas ilhas já se funda em fontes renováveis, como a geotermia, os parques eólicos e os painéis solares industriais.
O procedimento que agora é aberto tem em vista o fornecimento de duas embarcações sem limitações de navegação (‘Unrestricted Navigation’), capacitadas para apoio a manobras de acostagem de navios, reboques costeiros, acompanhamento (‘escort’), combate a incêndios e outros trabalhos de âmbito geral. Aspeto particular neste concurso público assenta no facto do fornecedor dos equipamentos marítimos pretendidos ficar também com a obrigação de entregar duas unidades de carregamento de energia elétrica – a instalar nos portos de Ponta Delgada e Praia da Vitória, unidades pré-fabricadas e alojadas em contentores de 20 pés.
Com a entrada em funcionamento destes rebocadores serão significativas e variadas as vantagens para os espaços portuários onde os mesmos se mostrarão em funcionamento, desde a redução de emissões poluentes, melhoria da qualidade do ar, diminuição da poluição sonora, custos operacionais diminuídos, manutenção simplificada, menor recurso a rebocadores exteriores ao do respetivo porto de armamento e aumento da produtividade.
O preço-base deste procedimento de concurso público está fixado em € 30.000.000,00 (trinta milhões de euros), sem IVA, para os dois rebocadores e duas unidades de carregamento, garantindo-se com a aquisição conjunta economias de escala em componentes comuns, bem como custos logísticos e de instalação mais competitivos.
Tendo presente as variadas dúvidas e pedidos de informação suscitados pela comunicação social da ilha do Faial e também pela Câmara Municipal da Horta, a propósito do cancelamento da escala do navio de cruzeiros “Artania” no Porto da Horta, no dia 28 de outubro de 2025, cumpre a esta administração portuária esclarecer o seguinte:
Horta, 29 de outubro de 2025
O Conselho de Administração da
Portos dos Açores, S.A.
A Portos dos Açores, S.A. regista o facto do ciclone tropical “Gabrielle” não ter, praticamente, deixado rasto de danos nos espaços, nas infraestruturas e nos equipamentos portuários dos Grupos Ocidental e Central das nossas ilhas, bem como nas embarcações que se encontravam acostadas, estacionadas a seco ou abrigadas nos portos do nosso arquipélago sob gestão desta empresa pública.
Importa recordar que a administração portuária ativou na passada segunda-feira, 22 de setembro, o seu Plano de Segurança Interno, implementando um conjunto alargado de medidas de autoproteção nos portos sob a sua jurisdição, durante toda a semana, tendo promovido no dia de quinta-feira a constituição de piquetes de pessoal operacional, de segurança e de serviços marítimos, que se mantiveram nas instalações (e nas embarcações, quando necessário e aconselhável) de prontidão, durante toda a noite e madrugada, para acompanhamento do fenómeno meteorológico extremo que nos atingiu.
As ações desenvolvidas, como se sabe, visaram minimizar danos materiais e garantir a segurança das pessoas e dos bens, através de uma estratégia coordenada de preparação para este ciclone tropical, o que acabou por ser prosseguido com o empenho e a dedicação de todos os que, em diferentes funções, colaboraram para que este desafio tenha sido enfrentado de forma organizada, responsável e eficaz.
Em concreto, foram apenas verificadas pequenas ocorrências na Marina da Horta, essencialmente nas infraestruturas flutuantes e deram-se situações pontuais com embarcações, que foram atempadamente resolvidas, e registou-se um incidente com uma embarcação (veleiro) que se soltou de uma amarração e foi embater num pontão no Núcleo de Recreio Náutico das Lajes do Pico, provocando pequenos riscos na mesma. No Porto da Praia da Vitória verificaram-se danos em algumas defensas e nos portões da oficina, felizmente tudo de proporções residuais em termos de danos nas infraestruturas e equipamentos.
A ativação dos planos de prevenção e de emergência pela Portos dos Açores, S.A. assegurou não só a proteção das infraestruturas portuárias durante o período crítico, mas permitiu a continuidade de prestação dos serviços essenciais depois de passado o fenómeno, embora seja certo que a administração portuária vai ainda continuar a monitorizar a situação, nomeadamente nas ilhas do Grupo Oriental, onde ainda se fazem sentir alguns efeitos da agora denominada depressão pós-tropical, priorizando sempre a segurança das pessoas e bens.
A Portos dos Açores, S.A. assinala, entretanto, os comportamentos preventivos assumidos, com empenho e profissionalismo, por toda a comunidade portuária, na adoção das necessárias e indispensáveis precauções, que contribuíram para que o furacão “Gabrielle” fosse enfrentado com sucesso, a bem de todo o setor portuário.
Foto: João Alves