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2022-09-15

A Portos dos Açores, S.A. esteve representada esta semana na ‘Seatrade Cruise Med’, um dos maiores certames de cruzeiros europeus, que se realizou nos dias 14 e 15 de setembro, no Palacio de Ferias y Congresos de Málaga, em Espanha. A delegação açoriana presente no evento foi constituída por dois elementos do Conselho de Administração desta empresa pública, o Comandante Rui Terra e a Doutora Maria Sousa Lima.

A supracitada feira é especificamente dirigida à indústria de cruzeiros, pelo que o público-alvo é essencialmente o ‘trade’ que desenvolve toda a atividade inerente ao setor, caso dos armadores/operadores do referido segmento, agentes de navegação, portos, estaleiros de construção naval ou jornalistas da especialidade.

Esta representação insere-se no plano de atividades promocionais dos portos açorianos a nível internacional, e achou-se integrada no stand ‘Cruise Portugal’, ao abrigo da promoção conjunta com os portos de Leixões, Lisboa, Setúbal, Portimão e Madeira.

2022-09-08

A Portos dos Açores, S.A. desenvolveu no último mês, com o envolvimento direto de 17 alunos dos 6 aos 12 anos, do Centro de Atividades de Tempos Livres da Santa Casa da Misericórdia de Velas, uma atividade de educação ambiental inserida no âmbito do ‘Programa Bandeira Azul’, que a Marina de Velas ostenta este ano pela primeira vez, desde o passado dia 17 de junho.

Tal ação traduziu-se numa operação de recolha e separação de lixo costeiro na área compreendida entre a zona balnear da Poça dos Frades e o “Arco” de basalto natural que se encontra na extremidade litoral poente da Avenida da Conceição, na Vila de Velas, tendo a mesma sido acompanhada e monitorizada por um técnico e uma estagiária da administração portuária, por seis elementos da equipa pedagógica da Santa Casa da Misericórdia local e por um recurso humano especializado do Serviço Educativo do Museu Francisco de Lacerda, da ilha de São Jorge.

Aos participantes foi proporcionado, na altura, um conjunto de iniciativas de lazer e também almoço na piscina natural da Poça dos Frades, bem como, mais tarde, uma visita ao Porto de Velas, durante a qual foi feita a elucidação sobre a atividade da empresa pública Portos dos Açores, S. A., foi permitida proximidade com as máquinas e equipamentos utilizados na operação portuária e foi tomado contato circunstanciado com as infraestruturas do cais comercial, do terminal marítimo de passageiros e da própria marina.

Da separação dos resíduos sólidos recolhidos resultou, na ocasião, o ordenamento e montagem de uma exposição sobre o lixo marinho na sala de desembarque da gare marítima do Porto de Velas (que se encontrará patente naquele espaço até ao final do corrente mês de setembro), altura que foi aproveitada, pelos orientadores da ação, para ser relevada aos jovens participantes a importância do encaminhamento dos resíduos sólidos para os recetores adequados e foi salientado o papel a desempenhar por cada cidadão, incluindo os mais pequenos, ainda em idade escolar.

A problemática do lixo costeiro e marinho e dos seus impactos levou, por outro lado, à elaboração de uma apresentação/vídeo a exibir na sala de desembarque do terminal marítimo de passageiros do Porto de Velas, para sensibilização para a conservação da natureza e respeito pela biodiversidade, tendo o dia de atividades ali realizado sido encerrado com o brinde aos participantes, pela Portos dos Açores, S.A., de gelados e bebidas, com especiais alertas quanto ao destino a dar a embalagens e restantes materiais recicláveis.

2022-07-14

A Marina da Horta recebeu na terça-feira, 12 de julho, a visita do Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Eng.º Luís Garcia, no mesmo dia em que aquela instituição promoveu na ilha do Faial uma conferência no âmbito do ciclo comemorativo dos 45 Anos de Autonomia (Açores 1976-2021), sob o tema “O Desafio da Economia Azul Sustentável”.

Precisamente na marina faialense o Presidente do Parlamento açoriano recebeu do Presidente do Conselho de Administração da Portos dos Açores, S.A. (PA), Comandante Rui Terra, informações sobre a relevância daquela infraestrutura de apoio à náutica de recreio e à náutica de competição à vela e acerca do seu impacto direto e imediato na economia do Faial, que é estimado se traduza em cerca de 10 a 12% do PIB da ilha.

No ‘briefing’ proporcionado ao Presidente da Assembleia Legislativa Regional, o Presidente da Portos dos Açores, S.A. deu a conhecer, também, o histórico da procura pela Marina da Horta, desde a sua inauguração, em 1986, quanto a embarcações de passagem nas nossas águas e respetivas tripulações, que catapultam aquela infraestrutura para o quarto lugar a nível mundial e segundo na Europa (apenas atrás de Gibraltar) relativamente ao tráfego de iates envolvidos em grandes travessias oceânicas.

O aumento da capacidade da Marina da Horta, a melhoria dos seus equipamentos de alagem, a disponibilização de zona especialmente destinada ao parqueamento de embarcações a seco e as potencialidades de crescimento dos negócios de apoio à náutica de recreio e das ‘indústrias’ conexas, casos da pequena reparação naval e do fornecimento de serviços diversos, foram outras matérias em análise no decorrer desta reunião de trabalho.

Aspetos adicionalmente tratados nesta visita da principal figura institucional dos órgãos de governo próprio dos Açores à marina faialense acabaram por ser, igualmente, na exposição apresentada pelo Comandante Rui Terra, as perspetivas de captação de novos mercados emissores de fluxos de iates para a generalidade dos portos de recreio náutico do arquipélago, por via da promoção proporcionada pelas grandes regatas de vela ‘offshore’ de alta competição, que periodicamente escalam as ilhas, a par da presença dos Açores nas principais feiras internacionais da especialidade.

Foi, ainda, transmitida ao Eng.º Luís Garcia a importância e centralidade daquela marina, em específico, através da qual, em complemento no universo PA, atualmente já se torna possível projetar para outras ilhas e outras marinas grandes eventos no âmbito da náutica de impacto internacional, fruto das esforçadas diligências locais, que envolvem ‘stakeholders’ de todo o universo da náutica de recreio, que ali buscam apoio seguro e um nível de literacia/cultura marítima que resulta numa excecional arte de bem-receber todos os milhares de navegadores que, anualmente, a visitam e levam o bom nome e imagem dos Açores, aos quatro cantos do mundo.

No final desta visita à Marina da Horta, o Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores teve, complementarmente, a oportunidade de conhecer o novo edifício de apoio às atividades marítimo-turísticas, recentemente inaugurado.

2022-06-30

Pensar em dar a volta o mundo por via marítima não é coisa que qualquer um de nós equacione, nem sequer de ânimo leve… Perspetivar fazê-lo numa embarcação à vela ainda menos. Optar por navegação solitária pelos quatros cantos do planeta, aí, já é coisa para (muito) poucos. Agora, juntar tudo isto e acrescentar, como meio de transporte, um veleiro com apenas 4 (quatro) metros de comprimento, isso, será somente para grandes ‘aventureiros’, para gente especialmente destemida, para pessoas capazes de gerir dificuldades e solidão como (quase) ninguém e, se calhar, para seres predispostos a superar o insuperável!

Um homem desta têmpera está na Marina da Horta, desde a última segunda-feira, 27 de junho. Chama-se Yann Quenet e acha-se já na curva descendente de uma circum-navegação que leva neste momento mais de três anos de jornada, por três oceanos cruzados (Atlântico, três vezes, Pacífico e Índico), quando, por agora, só lhe falta o percurso que ligará os Açores a Saint-Brieuc, na Bretanha, França, onde reside, não muito longe de outro porto gaulês famoso na vela internacional, Saint-Malo.

A mais recente etapa do périplo deste velejador pelas sete partidas do mundo durou 62 dias, desde o Brasil e até à ilha do Faial, onde chegou… já sem comida nem água a bordo! Algo parecido com o que lhe aconteceu antes, entre o Panamá e as ilhas Marquesas, do outro lado do globo.

Mas, além de tudo o mais, há uma particularidade adicional que torna esta ‘história’ especialmente singular: o seu iate, de nome “Baluchon” (‘pacote’, em português), foi construído por ele mesmo, com orçamento reduzido, tendo custado apenas cerca de 4000 euros e… 400 horas de trabalho. Tem um só mastro, uma única vela e não comporta motor. Mais: não há peças sobressalentes a bordo, pois, simplesmente, não há espaço para tal!

Tudo começou em Lisboa, no mês de maio de 2019, pois fora ao largo da costa portuguesa que naufragara uns tempos antes, na primeira tentativa de iniciar sem mácula a ‘grande aventura’, que quase lhe custou a vida, não fosse ser salvo por um navio cargueiro de passagem próxima, em altura de forte tempestade, que levou a sua embarcação anterior ao fundo. Depois seguiu-se Canárias, Caraíbas e o Canal do Panamá, que cruzou… por terra, pois o “Baluchon” (um ‘Optimist’ de vela oceânica, como lhe chamava um periódico francês) não tem dimensão para ter piloto a bordo e nem rebocador por companhia!

No lado de lá das Américas rumou às Marquesas (em 44 dias), à Polinésia Francesa, incluindo Tahiti e Tuamotu, e ainda à Nova-Caledónia, onde teve de parar meio ano, pois era imperioso deixar passar a época das tempestades do hemisfério Sul e deixar também acalmar essa ‘peste’ da COVID-19, que fechou portos e marinas em lugares onde era suposto ter feito escala e que tiveram de ser esquecidos. Como ficou sem efeito a viagem pré-programada de uma ‘costa-a-costa’ na Austrália, com o veleiro no tejadilho de um carro velho que pensava comprar, não fosse a pandemia trocar-lhe, igualmente, as voltas. Disto resultou uma travessia direta – 7000 milhas marítimas – da Nova-Caledónia até à ilha de Reunião. Assombroso, e em 77 dias! Depois foi a vez da África do Sul, ainda para lá do Cabo da Boa Esperança, pois, na vinda para Ocidente, a Cidade do Cabo já é, de novo, de ‘sabor’ Atlântico. Daí foi um passo até à ilha (britânica) de Santa Helena, a anteceder a travessia com destino a terras de Vera-Cruz. No Brasil a escala fez-se no Estado de Paraíba, de onde largou a 26 de abril passado, rumo à Horta.

Depois de cerca de 10 dias de descanso e aprovisionamento nas ilhas dos Açores será tempo de voltar ao mar. Próxima paragem: casa, em Saint-Brieuc. Até à próxima aventura… e, talvez, até nova proeza! O aventureiro solitário bretão Yann Quenet e sua – verdadeira – ‘casca de noz’ levam nesta jornada de três anos longas passagens dos três principais “mares-oceanos”, como já se disse: Atlântico, Pacífico e Índico, este último o mais complicado, pelo que referiu à Portos dos Açores, S.A..

Este velejador de 51 anos, natural de Nantes – ex-esquiador em desportos de Inverno e com menção nos registos da FIS (Federação Internacional de Ski) –, está de passagem na Marina da Horta pela quarta vez, tendo ali feito escala, numa primeira ocasião, em 2006. Na oportunidade, em embarcação maior e com companhia na navegação, como faz questão de frisar, para lembrar que agora a viagem é mais ‘radical’! Mesmo assim, as dimensões do “Baluchon” não o atormentam nem amedrontam, não sendo em vão que nos disse, por duas vezes, em pleno pontão da marina faialense, num misto de conformação e satisfação: “Small boat, small problems”!

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