Em representação do Conselho de Administração da Portos dos Açores, S.A. (PA), o Comandante Rui Terra participou no final da última semana, no Funchal, Madeira, em reuniões dos órgãos sociais da Associação dos Portos de Portugal (APP), com vista à apreciação do Relatório de Gestão e Contas do Exercício de 2021 e à aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para o ano de 2022 daquela entidade, que agrega todas as administrações portuárias do país.
Nestas reuniões da Direção e da Assembleia Geral da APP foi também avaliado o ponto da situação da implementação do projeto JUL – Janela Única Logística nos diferentes portos de Portugal. Foi, ainda, decidido formalizar um protocolo com a AMN – Autoridade Marítima Nacional, com vista à realização do ‘Curso de Sobrevivência e Resgate no Mar’, para pilotos e tripulantes de embarcações de pilotos.
Este plenário serviu também para aquela associação projetar a participação dos portos nacionais em algumas das maiores feiras internacionais do setor portuário, que decorrerão no próximo ano, casos da ‘Intermodal South America 2023’, que está agendada para fevereiro, em São Paulo, Brasil, da ‘Transport Logistics 2023’, a realizar em Munique, Alemanha, em maio e da ‘Breakbulk 2023’, que acontecerá em Roterdão, Países Baixos, em junho de 2023.
A Portos dos Açores, S.A. integra a Direção da APP, coletivo que no âmbito desta reunião de trabalhos terminou a perspetivar potenciais locais de realização dos próximos congressos da APLOP (Associação dos Portos de Língua Portuguesa), numa permanente colaboração de proximidade, que se entende estratégica para todos os portos nacionais.
No final das sessões de trabalhos, juntou-se à comitiva deslocada no Funchal o Secretário Regional de Economia do Governo da Madeira, Dr. Rui Miguel Barreto, que teve a oportunidade de conhecer alguns dos projetos em curso, que visam criar valor acrescentado nos parceiros portuários, retirando daí potenciais sinergias para a comunidade local, via a Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, S.A. (APRAM), a quem se agradece tão distinta organização desta reunião da APP.
A Marina da Horta completou na última sexta-feira, dia 3 de junho, 36 anos de existência, dado ter sido naquele mesmo dia e mês, em 1986, que foi oficialmente inaugurada e recebeu os primeiros veleiros, ocupando na altura a quase totalidade dos seus cais e pontões flutuantes, numa ocasião em que os Açores eram já, há mais de década e meia, um destino de passagem para destacado número de iates envolvidos em grandes travessias do Atlântico Norte.
Tão depressa a sua capacidade foi esgotada que a 2 de março de 2002 seria formalizada a sua ampliação, para a bacia Sul do Porto da Horta, passando a capacidade inicial de 120 postos de amarração para os atuais 300, mesmo assim aquém da demanda que este porto de recreio todos os anos gera, muito particularmente nos meses de abril a julho.
Segundo dados avançados há alguns anos pela conceituada revista náutica francesa “Voiles e Voiliers”, a Marina da Horta é a segunda da Europa com mais entradas registadas de veleiros envolvidos em viagens transoceânicas (somente suplantada no ‘Velho Continente’ por Gibraltar, o maior porto internacional para a náutica de recreio), posicionando-se, neste particular, em quarto lugar a nível mundial (a seguir, também, ao México e à ilha Trindade, do arquipélago de Trinidad e Tobago), e significativamente à frente de Bermudas e de Las Palmas, nas Canárias.
A Marina da Horta é palco recorrente de passagem dos maiores nomes da vela ‘offshore’ de alta competição internacional, como já sucedeu este ano com Armel Le Cléac’h (vencedor da ‘Vendée Globe’ 2016-2017 e segundo noutras duas edições desta prova mítica de volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, para embarcações IMOCA, de 18 metros, considerada a mais dura de todas), Sébastien Josse (com três participações na mesma ‘Vendée Globe’ no currículo, na qual foi 5.º classificado, na edição de 2004-2005) e Jean-Pierre Dick (quatro vezes presente na quadrienal ‘Vendée Globe’, com dois 4.ºs lugares como melhores resultados, para além de ter sido vencedor de duas edições da afamada ‘Barcelona World Race’), para citar apenas três navegadores famosos, dos mais recentes, em escala, no caso nos finais do último mês, na ilha do Faial.
Esta marina foi, por outro lado, o primeiro porto português a ostentar a Bandeira Azul da Europa, em 1987, galardão que mantém até hoje, atestando as suas especiais condições respeitantes à qualidade ambiental, quanto a equipamentos e serviços, e no que respeita a segurança e atividades de educação para a conservação da natureza.
Numa altura em que a Marina da Horta acaba de completar 36 anos é de assinalar que esta infraestrutura portuária pode vir a registar em 2022 um movimento, até final do ano, muito próximo do máximo de embarcações que constitui o seu recorde, já que a 31 de maio se contabilizavam ali 557 entradas, contra somente 522 no último ano ‘normal’, pré-pandemia (2019), mantendo-se, no entanto, em 1300 embarcações a melhor cifra até agora averbada, já há mais de uma década, em 2009.
No princípio do mês de junho a Marina da Horta alberga perto de três centenas e meia de iates no porto faialense, quando estão a chegar à ilha, ainda estes dias, os 28 veleiros de recreio envolvidos em mais uma edição da ‘ARC Europe’ (Atlantic Rally for Cruisers), organizada pelo World Cruising Club, entre as Caraíbas e Lagos (Algarve), e em julho se dirigirão para a ilha do Faial à volta de 70 veleiros da Classe Mini 6.50, competindo numa regata bienal para velejadores solitários, parte deles profissionais e semi-profissionais, que se realiza, já desde 2006, entre Les Sables d’Olonne – verdadeira ‘capital’ da vela mundial de competição em alto-mar – e os Açores, e que vai para a sua nona edição (sequência só interrompida em 2020, no que respeita à vinda ao nosso arquipélago, em função do eclodir, naquele ano, da pandemia da COVID-19).
A baía da Praia da Vitória recebeu na última sexta-feira, 20 de maio, um exercício de salvamento marítimo envolvendo um Navio Patrulha Oceânico (NPO) da Marinha, o “NRP Setúbal”, um helicóptero da Força Aérea Portuguesa, EH-101, e uma lancha da Polícia Marítima, bem como dois militares, que simularam ser ‘náufragos’ a necessitar de socorro, iniciativa que foi desenvolvida no âmbito de um curso do Atlantic Centre.
Este exercício de segurança marítima contou com a assistência, desde o Miradouro do Facho, sobranceiro a toda a enseada, de um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de diversas autoridades regionais e locais, civis e militares, tendo a Portos dos Açores, S.A. acompanhado também este simulacro – que se desenvolveu, aliás, em área da sua jurisdição –, através da presença da nova Vogal do Conselho de Administração, Eng.ª Filipa Garrett.
A atividade em causa teve lugar, maioritariamente, na zona Norte da baía, junto ao cais militar, não configurando na altura qualquer constrangimento ao normal tráfego do Porto da Praia da Vitória, tido sido considerada de “valor acrescentado e estratégico”, não só para a infraestrutura portuária em si como para a Região Autónoma dos Açores, de uma forma global.
Durante a referida iniciativa de segurança marítima na baía da Praia da Vitória foi possível observar os ‘náufragos’ a serem recolhidos, em operação de salvamento de cenário quase real, primeiro para o navio da Marinha “NRP Setúbal” e depois pelo helicóptero EH-101, numa demonstração, no espaço portuário, de ações arriscadas do género que, com grande regularidade, são levadas a cabo no mar territorial de Portugal, na subárea dos Açores da Zona Económica Exclusiva nacional e nos espaços marítimos contíguos.
Decorreu na manhã de quinta-feira, 19 de maio, no Porto de Vila do Porto (ilha de Santa Maria), a celebração do Dia “Escola Azul”, iniciativa integrada no “Programa Educativo Escola Azul”, que foi lançado em 2018 pelo Ministério do Mar e que localmente foi planeado como parceria entre a Portos dos Açores, S.A. e a própria ‘Escola Azul’.
No âmbito de tal iniciativa, as crianças e jovens da Escola Básica e Secundária de Santa Maria criaram um cordão humano designado por “Corrente do Oceano”, que teve como missão promover a sensibilização para a salvaguarda do OCEANO, sob o lema: “É a origem da vida, não pode ser o depósito do lixo”.
Esta ação é feita, igualmente, por milhares de alunos de Norte a Sul do país, incluindo as ilhas atlânticas e, no caso de Santa Maria, teve lugar na véspera da celebração do ‘Dia Europeu do Mar’, comemorado anualmente a 20 de maio, data que tem como principal objetivo destacar o papel fundamental que os mares assumem na vida das comunidades costeiras e de todos os cidadãos da União Europeia, assim como no domínio do crescimento sustentável e do emprego na Europa.